Quinta-Feira, 12 de Dezembro de 2019



28 de Agosto de 2011
Bruxismo Infantil | Casos de bruxismo aumentam em crianças.


O bruxismo em crianças passou a receber maior atenção por parte dos pais.

Na clínica odontopediátrica da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP, o problema é a terceira causa que mais influencia na procura por dentistas, ficando atrás apenas da cárie e de traumatismos dentais. De acordo com a docente Kranya Victoria Díaz-Serrano, da FORP, isso indica o quanto a percepção do bruxismo mudou. "Antes eram os profissionais que, numa consulta por outro motivo, notavam que a criança estava rangendo os dentes. Agora é a família que percebe o problema e procura ajuda", explica ela.


Para a professora, que lidera diversas linhas de pesquisa dedicadas ao estudo do distúrbio e das Desordens Temporomandibulares (DTM) na população infantil, essa intervenção da família aumenta as chances de um diagnóstico precoce, da interceptação do problema e de um tratamento coerente. Porém, explica a docente, há carência de profissionais especializados em bruxismo e DTM em crianças, o que tem resultado no aumento da demanda para este atendimento específico.


Segundo a professora, a falta de profissionais capacitados pode ter como ponto de origem o fato que a maioria dos cursos de graduação não incluem na sua grade curricular a abordagem destes problemas voltados para as crianças e adolescentes, apenas para adultos. "A alta ocorrência do distúrbio gera uma necessidade cada vez maior de profissionais capacitados", afirma Kranya, apontando que o fato é uma das maiores motivações para suas pesquisas.


Além disso, o amplo leque de possibilidades de exploração do tema também constitui um estímulo para a docente: "há indagações acerca do perfil psicológico do paciente com bruxismo, quais são as características comuns constantes, por exemplo. Também começamos a levantar hipóteses sobre a influência genética, de fatores sistêmicos, na ocorrência do distúrbio". Segundo ela, há ainda muito a ser esclarecido.


O bruxismo é um hábito parafuncional involuntário caracterizado pelo apertamento e rangimento dental, o qual pode se manifestar em adultos e crianças, tanto em vigília quanto durante o sono, o que é mais comum. Desde 2002, as pesquisas na FORP têm como enfoque diferentes aspectos do bruxismo em crianças.


Um deles procura validar um instrumento de avaliação clínica, outro busca respostas sobre os fatores de risco que possam levar ao distúrbio. "Nós nos perguntamos se hábitos como mascar chiclete ou roer unhas podem ter alguma relação com a doença, como apontam as tendências, mas não existe comprovação científica para isso", diz a professora Kranya.


O ranger e apertar dos dentes pode trazer consequências como desgaste dental, dor facial ou até mesmo alto impacto nas estruturas mastigatórias. Outra pesquisa da FORP diz respeito à aplicação de técnicas terapêuticas complementares, tais como a acupuntura, para alívio da dor muscular, assim como para a diminuição da ansiedade e estresse, considerados fatores de risco para a manifestação desta desordem.


Em outra linha, a inovação fica por conta da análise de radiografias digitalizadas e de tomografias computadorizadas de crianças com o distúrbio, numa tentativa de descrever as possíveis alterações nas estruturas óssea e dental causadas pelo problema.


A professora Kranya Díaz-Serrano atesta que essas pesquisas têm várias frentes de importância. Além de contribuir para a ampliação de conhecimento científico na área, ainda um tanto quanto escasso, elas visam a formação de profissionais capacitados para o diagnóstico e atendimento da população infantil com bruxismo. Também o atendimento à comunidade se consolida como expressão das atividades de extensão e do compromisso social da Universidade.



Fonte: APCD





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